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Postado por em 25 jan 2013 | 0 comentário(s)

Carreira 3.0

Carreira 3.0

O que um profissional pode fazer para navegar nas incertezas e sobreviver num ambiente totalmente novo que ninguém ainda sabe como será? Mesmo descrente em fórmulas prontas, o consultor Ricardo Guimarães ajuda a responder.

Determinar como será o amanhã continua sendo algo que o homem é incapaz de fazer. O diacho é que nos tempos malucos de hoje até imaginar está mais difícil. Pense no seu emprego, por exemplo. Com as novas tecnologias e as novas relações que se estabelecem, você tem alguma ideia de como será a sua rotina daqui a dez anos? Se tem, isso é um mau começo. Porque na certa você está errado. O primeiro passo para navegar bem nessa época do improvável é adotar aquele velho preceito socrático do “só sei que nada sei” e ser maleável para adaptar-se às transformações que vierem pela frente – ou melhor ainda: ser o autor de parte delas.

“Incertezas sempre existiram, mas a gente conseguia conviver porque não eram tantas. A relação de causa e efeito hoje se dá muito mais rapidamente e há muito mais coisa acontecendo ao mesmo tempo. Isso cria uma complexidade que torna impossível fazer previsões seguras”, diz o publicitário e consultor Ricardo Guimarães, dono da Thymus Branding e um dos pioneiros no país em apontar a profusão de rumos que a, como ele diz, “transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento” está nos levando. A composição das corporações tal como a conhecemos no século 20 está com os dias contados. As pirâmides hierárquicas já estão sendo substituídas por estruturas em rede. O valor antes determinado pelos bens físicos passará a ser pelas relações, pela cultura e pelo significado. Numa mudança tão profunda como essa, é natural que as pessoas se fechem em busca de uma segurança que não é mais tangível, quando deveriam fazer justamente o oposto: aprender coisas novas, incorporar-se a novas realidades, influenciar e serem influenciadas.

Num longo papo com a VIP, Ricardo Guimarães indica algumas atitudes e posturas que podem fazer com que você se saia melhor nesse longo processo. “Conscientize-se do medo e liberte-se”, diz ele. “Estamos numa transformação para algo muito melhor, mais leve, uma sociedade de mobilidade, de dança e música. Repito sempre uma frase que é ótima metáfora do que estamos vivendo: o que a lagarta chama de fim, o resto do mundo chama de borboleta.”

Admita que você está errado
“Faça isso permanentemente. Aprendi num livro do Michael Shermer uma coisa que me ajudou muito, o conceito de verdade provisória. Nós já tivemos certeza de tanta coisa que se mostrou errada, que hoje o melhor a fazer é nos desapegar daquilo que sabemos. Não jogar fora, mas pôr em questão permanente, ter uma curiosidade compulsiva para perguntar como é que as coisas funcionam.”

Duvide de tudo
“Duvide até da sua profissão. Pergunte-se todo dia: é isso que eu quero fazer da vida? É aqui que eu gostaria de estar agora? Bombardeie todas as circunstâncias que o prendam a um estado repetitivo.”

Adapte-se
“A adaptação implica em inovação. Ela não é passiva, é interativa. Na hora em que você faz algo que não fazia para se adaptar, você também muda o ambiente. Não tenha medo do próximo passo, não se preocupe se ele vai ser tão bom ou tão ruim quanto o que você já tem. Dê o próximo passo.”

Opine, sempre
“Os funcionários e executivos não precisavam ter opinião, mas capacidade de fazer como foi bem-feito no passado. Isso é uma visão muito conservadora daquilo que já deu certo. Depois dessa coisa de fazer como manda o manual, veio o marketing, que manda fazer como o cliente quer, o que também isenta os funcionários de ter uma opinião pessoal. É por isso que as pessoas estão sofrendo hoje, porque elas não têm o exercício da identidade, da opinião, da crítica, que leva a uma proposta de um produto melhor, de um processo melhor, de um serviço melhor. Quando você precisa ter uma opinião, fazer uma proposta inovadora, você não tem recursos pessoais para isso, eles não estão afiados, está tudo enferrujado.”

Chame para si
“O maior obstáculo na mudança cultural das empresas são os funcionários que adoram receber ordem e saber o que têm para fazer, sem a necessidade de pensar, para não se responsabilizar por aquilo. É como se o projeto de trabalho fosse realmente um mal necessário, com mínimo de envolvimento. As pessoas não querem saber da estratégia, querem saber o que precisam fazer para entregar direitinho e ir em bora no fim do dia. Saber da estratégia acaba dando uma cumplicidade, uma corresponsabilidade que eles não querem, apesar de fazerem um teatro dizendo que querem dividir a responsabilidade.”

Critique
“O que é o empreendedor? É um cara que tem uma ideia melhor que aquelas que estão no mercado. Para você ter uma ideia melhor, você teve que criticar a que não era tão boa. Estimular essa visão crítica passa a ser uma demanda grande da nossa época.”

Coopere e…
“A cooperação dá mais frutos do que a competição. Você deve cooperar pensando no resultado, não em ir para o céu. Darwin, como sempre, ajuda a entender tudo. Tribos que tinham cooperação entre seus integrantes e com outras tribos aprendiam a se adaptar ao ambiente novo mais rápido que as tribos que competiam mais. Estamos inexoravelmente ligados ao outro num processo de aprendizagem. Quando você se separa e compete, demora mais para aprender. Compartilhe processos, informação, metas.”

…também seja egoísta
“Sempre falei para minha mulher e filhos que meu projeto mais importante chama-se Ricardo Guimarães. Porque se eu não der certo, o resto não dará também – e muitas vezes o resto importa mais. É um egoísmo de você se responsabilizar por um potencial que foi entregue a você.”

Abstraia, projete, analise
“A incerteza aumenta o valor das pessoas com capacidade de ler cenários rapidamente. Não é ser veloz na leitura ou processar muitos dados, mas conseguir, a partir de um mínimo de informação, entender o maior cenário possível.”

Seja pragmático
“Algo muito irônico no falso humanismo dos RHs no século 20 foi dar uma outra perspectiva ao pragmatismo, como uma coisa vil. Vil nada! O pragmático busca aquilo que funciona. A natureza é pragmática. O pragmatismo da natureza tem sido usado não só na ciência mas também na gestão de empresas, no design de processos. Ele põe por terra muitos dos princípios morais – ou pretensamente morais.”

Vista a sua camisa
“Este mesmo RH idealista do século 20 que afirma proteger a pessoa dentro da empresa está na verdade integrando o indivíduo como peça de uma máquina. A mensagem que passa é: ‘Deixe suas emoções em casa, vista a nossa camisa e venha trabalhar inteiro’. Isso não funciona mais. Vá com a sua camisa, orgulhe-se dela. Ela contribuirá para a diversidade da empresa.”

Descontrole-se
“Tudo o que aprendemos na sociedade industrial, e até hoje os MBAs ensinam isso, é ter controle. É o controle que lhe dá segurança e lhe permite fazer a mesma coisa cada vez melhor, mas não fazer diferente. Com isso você vai se robotizando, e tudo o que puder ter de experiência nova para viver você renega.”

Divirta-se com o trabalho
“Todo mundo tem um sonho de ralar agora para depois se divertir. De trabalhar das 9 às 5 e depois se libertar, como se o prazer não pudesse existir no trabalho. Você se sacrifica o ano todo pelas férias, a vida toda pela aposentadoria. Isso está impregnado na cultura.”

Jogue menos
“Não aposte em jogar na dinâmica do poder, de conhecer a empresa para adotar uma posição política conveniente. Pode até ser que você precise disso em algum momento, mas não aposte. O cara com quem você acha que está abafando pode ser demitido daqui a dois meses. Não há segurança de nada. A incerteza é a regra do jogo. Por isso, aposte em você.”

Aprenda a dançar
“Quando o mundo é estável e os móveis estão sempre nos mesmos lugares, é fácil você descobrir o que vai fazer, porque o externo lhe dá segurança, mostra por onde caminhar. Agora imagine que está tudo se mexendo. Qual é a competência nova que você precisa ter? Ter um eixo, uma autonomia de movimentação e negociar com todas as circunstâncias que vão surgindo, de tal maneira que isso seja uma dança agradável para você. Se você estiver muito apegado a uma situação ou circunstância, vai sofrer demais. Saímos de uma mentalidade de exército, de todo mundo alinhado, para a dança, e uma dança que é uma criação coletiva.”

Evolua mais, resista menos
“A resiliência é uma palavra da moda, mas não é o mais importante. Resiliência é a capacidade de voltar à situação anterior à pressão que você estava sofrendo. Prefiro falar em evolução, abandonar um estado para acessar um outro patamar de complexidade. Resiliência é o que o consola, você segura sua onda até passar aquela circunstância. O melhor é se transformar.”

Veja o todo de fora
“Pratique o exercício de sair do universo da empresa e da engrenagem para observar de fora a interação com o contexto. Isso é uma obrigação de todos. Sair de lá e ver um mundo mais rico, mais complexo, com mais possibilidades e também mais problemas. Você aumenta a chance de ser mais útil, desde que sejam problemas que você possa resolver.”

Aguce os sentidos
“Não existe um mundo apenas. Existem o seu mundo, o meu mundo, o mundo de cada um. Daí a necessidade de não se fechar no seu próprio e entender o do outro. É preciso saber ouvir, saber ver, saber sentir e pensar como o outro para que as suas conclusões sejam as mais ricas possíveis.”

Estude o que gosta
“Não deixe a escola atrapalhar os seus estudos. Acho errado decidir o que estudar considerando as atuais profissões que pagam bem. Faça o que gosta e faça bem-feito. Sempre vai existir alguém querendo comprar o que você faz dessa forma.”

Vá fundo em algo
“Você encontrará mundos fantásticos. Na medida em que os caras vão ficando maduros em algo, vão se encontrando em aprendizados fundamentais sobre a vida. Viram mestres. Comece hoje. Vá fundo naquilo que mais lhe agrada, porque só assim é possível entender a dinâmica das coisas. No fim das contas, o que as pessoas querem em suas equipes é quem enriqueça o conhecimento para diminuir o risco e aumentar o potencial de criação de valor.”

 

Fonte: Renato Krausz 

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